Maria Castanha - Exploração de São Martinho

Maria Castanha - Exploração de São Martinho

 


🌰 Maria Castanha: um São Martinho de encontros, cores e partilha

O São Martinho convida-nos a reunir, partilhar e descobrir os sabores do outono. Com a história «Maria Castanha», podemos também conversar sobre amizade, acolhimento e diversidade, envolvendo as crianças do pré-escolar e do 1.º ciclo em experiências com palavras, tintas e elementos da natureza.

Na história, Maria chega a um jardim, junta-se às brincadeiras das outras crianças e, enquanto corre, esbarra no carrinho de um vendedor de castanhas. Os amigos ajudam a apanhar as castanhas espalhadas e o encontro termina com uma partilha de castanhas assadas. Um ponto de partida para pensar: como fazemos alguém sentir-se bem-vindo?

📖 Ler, observar e conversar

Antes da leitura, mostramos uma castanha e perguntamos:

O que é? Onde a encontramos?

Como é a sua cor? E a sua forma?

Já comeram castanhas? Como eram preparadas?


Durante a história, fazemos pequenas pausas para observar as personagens e imaginar o que sentem:

«Como poderá sentir-se a Maria quando chega a um grupo que ainda não conhece?»

«Como se sente o vendedor quando as castanhas caem?»

«O que muda quando todos ajudam?»

Depois, podemos recontar os acontecimentos com desenhos, objetos ou cartões: chegada ao jardim, brincadeira, acidente, ajuda e partilha.

As crianças podem participar através da fala, de gestos, de imagens ou do seu sistema de comunicação.

🤝 1. “Queres brincar connosco?”

Vamos transformar o acolhimento numa brincadeira!

Com bonecos ou fantoches, representamos a chegada de uma personagem a um grupo. As crianças experimentam diferentes formas de a incluir:

  • Cumprimentar e dizer o nome.
  • Convidar para brincar.
  • Mostrar como funciona o jogo.
  • Perguntar o que gostaria de fazer.
  • Podemos escolher uma frase para recordar ao longo do ano:
  • «Aqui há lugar para ti!»

No 1.º ciclo, cada criança pode desenhar ou escrever uma ação que ajude um colega novo a sentir-se acolhido.


🌍 2. Uma roda de sabores e histórias

A interculturalidade começa quando escutamos as experiências de cada pessoa, sem pressupor que todas as famílias de um país vivem da mesma maneira.

Convidamos as famílias a partilhar, se quiserem, um alimento, uma receita ou uma celebração que tenha significado para elas nesta época do ano. Pode ser através de uma fotografia, de um desenho, de uma mensagem ou de uma pequena conversa.

Na sala, descobrimos:

  • Que alimentos aparecem em várias famílias?
  • Quais são novos para nós?
  • Existem diferentes maneiras de preparar o mesmo alimento?
  • Que momentos de encontro e partilha acompanham essas refeições?

Criamos um painel: «Sabores e histórias das nossas famílias».

Todas as crianças podem contribuir, incluindo as que não celebram o São Martinho. Nenhuma precisa de representar um país ou explicar a sua origem.


🗣️ 3. Palavras que nos aproximam

Com a colaboração das famílias, podemos descobrir como se diz “olá”, “amigo” ou “obrigado” nas línguas presentes no grupo.

O adulto regista as palavras e, quando possível, pede uma gravação da pronúncia. Depois, as crianças experimentam utilizá-las nas brincadeiras com os fantoches.

Não é necessário falar da mesma maneira para brincar em conjunto: um gesto, um sorriso e um convite também comunicam acolhimento.


🎨 4. Quantos castanhos conseguimos criar?

A cor castanha tem muitos tons! Vamos descobri-los com tintas.

Materiais: tintas laváveis vermelha, amarela, azul e branca; pincéis; recipientes; papel.

Começamos por misturar vermelho e amarelo. Depois, acrescentamos pequenas quantidades de azul, observando como a mistura se transforma. Podemos juntar branco a uma parte da tinta para obter tons mais claros.

Cada criança faz experiências e deixa uma marca no papel. No final, comparamos:

«Qual ficou mais claro? Qual ficou mais escuro? Como conseguimos este tom?»

Criamos uma paleta coletiva com nomes inventados pelo grupo: castanho de folha seca, castanho de terra, castanho de casca…

O objetivo é experimentar, observar e descobrir, valorizando resultados diferentes.


🍂 5. À procura do castanho na natureza

No recreio ou num passeio, procuramos elementos castanhos: folhas caídas, pequenos ramos, pinhas e cascas.

Observamos as diferenças de tonalidade, textura, tamanho e forma. Podemos organizar os elementos em grupos ou aproximá-los dos tons criados com as tintas.

Depois, fazemos uma composição coletiva:

«O outono tem muitos castanhos!»

Quem preferir não tocar nos materiais pode observar, utilizar uma pinça ou escolher fotografias para a composição.



🧡 6. As cores da nossa pele

A referência à aparência da Maria pode abrir uma conversa respeitosa sobre diversidade.

Observamos que as pessoas têm muitos tons de pele e que todos merecem o mesmo respeito e as mesmas oportunidades de participar. A cor da pele não nos diz de onde alguém vem, que língua fala ou do que gosta.

Com tintas, cada criança pode explorar um tom para o seu autorretrato, ajustando livremente as misturas. O adulto acompanha sem corrigir a escolha nem atribuir uma única “cor de pele”.

Reunimos os retratos num mural:

«Somos diferentes. Fazemos parte do mesmo grupo.»



🌰 7. Castanhas para contar e partilhar

Com castanhas de papel ou peças grandes, propomos pequenos desafios:


  • Colocar uma castanha em cada cartucho.
  • Fazer conjuntos de duas, três ou cinco.
  • Associar conjuntos a cartões com números ou pontos.
  • Descobrir quantas faltam para todos receberem a mesma quantidade.


No pré-escolar, começamos com pequenas quantidades e correspondências simples. No 1.º ciclo, podemos acrescentar problemas de adição e distribuição.


Ligamos a matemática à história: «Como podemos partilhar para que ninguém fique de fora?»



💛 8. Um cartucho de gestos amigos


Cada criança decora um cartucho de papel com pintura, colagem ou desenhos. No interior, colocamos “castanhas” de papel com gestos de amizade:

Convidar. Ajudar. Escutar. Partilhar. Respeitar.

As palavras podem ser acompanhadas por imagens. Ao longo da semana, retiramos uma castanha e pensamos numa forma de pôr esse gesto em prática.

Uma celebração em que todos podem participar

As propostas podem ser realizadas em pequenos grupos, com materiais acessíveis e diferentes formas de resposta. Se houver degustação, articulamos previamente com as famílias as necessidades alimentares e a forma de apresentação dos alimentos.

Mais do que celebrar uma data, queremos criar oportunidades para conhecer o outro, explorar sem receio e construir relações.

Neste São Martinho, que a partilha vá além das castanhas e chegue aos gestos de todos os dias. 🌰🧡

👉Livro Maria Castanha em PDF