Lenda de São Martinho

Lenda de São Martinho



🌰 São Martinho: partilhar, acolher e incluir



O São Martinho pode ser mais do que um dia de castanhas e convívio. É também uma oportunidade para conversar com as crianças sobre empatia, solidariedade e inclusão, transformando uma história conhecida em pequenos gestos com significado.


A Lenda de São Martinho conta que, num dia de frio, um soldado encontrou um homem que precisava de se agasalhar. Martinho dividiu a sua capa e ofereceu-lhe uma parte. Segundo a lenda, depois desse gesto, as nuvens deram lugar ao sol.


Para além da mudança do tempo, há uma ideia que merece a nossa atenção: Martinho reparou na necessidade de outra pessoa e decidiu agir.


📖 Uma história para escutar e pensar


No pré-escolar e no 1.º ciclo, podemos começar pela Lenda de São Martinho, no Lápis Mágico ou pelo recurso do RTP Ensina.


Depois da leitura, convidamos as crianças a conversar:


  • Como se poderia sentir o homem que estava com frio?
  • O que terá levado Martinho a parar?
  • Como podemos perceber que alguém precisa de ajuda?
  • É preciso oferecer alguma coisa para sermos solidários?
  • Como podemos ajudar alguém a sentir-se parte do nosso grupo?

As respostas podem surgir através de palavras, desenhos, gestos ou cartões de comunicação. Todas as formas de participação têm valor.


💛 Valores que podemos pôr em prática


A história permite explorar valores próximos do quotidiano das crianças:


  • Empatia: tentar compreender o que outra pessoa sente, escutando-a.
  • Generosidade: partilhar materiais, tempo, atenção ou conhecimentos.
  • Respeito: perguntar antes de ajudar e aceitar que o outro possa querer fazer de outra maneira.
  • Solidariedade: colaborar para responder a uma necessidade concreta.
  • Inclusão: criar condições para que todos possam participar e pertencer.

Na sala, estes valores ganham vida quando convidamos um colega para brincar, disponibilizamos uma forma diferente de realizar uma tarefa ou escutamos alguém que precisa de mais tempo para comunicar.


🤝 1. “Como podemos ajudar?”
  • Com fantoches ou pequenas dramatizações, apresentamos situações familiares:
  • Uma criança quer brincar, mas ainda não conhece o jogo.
  • Um colega deixou cair os materiais.
  • Alguém não consegue alcançar um objeto.
  • Uma criança prefere um espaço mais tranquilo
  • Um colega comunica através de gestos ou imagens.



O grupo procura soluções. Antes de agir, experimentamos perguntar:


«Queres ajuda?»

«Como preferes que eu te ajude?»

«Queres brincar connosco?»

Ajudar também é respeitar escolhas e dar espaço à autonomia.


🎨 2. A capa que nos une



Numa folha grande, desenhamos uma capa. Cada criança contribui com uma pequena peça de papel, decorada com pintura, colagem, desenho ou uma palavra.


Em cada peça, representamos um gesto que torna o grupo mais acolhedor: escutar, convidar, esperar, ajudar, partilhar ou respeitar.



Juntamos as peças e damos um nome ao mural:



«A nossa capa tem lugar para todos»



Durante a construção, disponibilizamos diferentes materiais e formas de participação. Uma criança pode pintar; outra pode escolher cores, colar uma imagem ou indicar onde pretende colocar a sua peça.


O resultado é coletivo porque cada contributo conta.


🌍 3. Muitas formas de cuidar



Convidamos as famílias a partilhar, se desejarem, uma história, um costume ou um gesto de entreajuda significativo para elas.


Podemos perguntar:


«Na vossa família, como costumam cuidar uns dos outros?»


As respostas podem revelar diferentes formas de acolher: preparar uma refeição, acompanhar alguém, partilhar alimentos, visitar uma pessoa ou ajudar um vizinho.


Reunimos os contributos num painel: «Na nossa comunidade, cuidamos assim».


A proposta acolhe famílias com diferentes culturas, línguas e crenças, incluindo aquelas que não celebram o São Martinho. O ponto de encontro é o cuidado pelas pessoas.


🧣 Uma proposta solidária: “Partilhar para aquecer”




Inspirados na capa de Martinho, podemos organizar uma pequena campanha de recolha de agasalhos, em colaboração com uma instituição ou estrutura de apoio da comunidade.


Primeiro, escutar as necessidades

Antes de anunciar a campanha, a escola contacta a entidade escolhida — por exemplo, através do GAAF ou da Câmara Municipal — para saber quais os artigos, tamanhos e quantidades de que realmente precisa e combinar a entrega.


Assim, a ação responde a necessidades concretas.

Depois, envolver as crianças

Explicamos o objetivo com palavras simples:

«Vamos colaborar com uma equipa da comunidade para que os agasalhos cheguem a pessoas que precisam deles. Vamos recolher apenas o que nos foi pedido.»


As crianças podem criar o cartaz, decorar as caixas, contar os artigos recebidos e preparar mensagens de cuidado.


  • Os agasalhos devem estar limpos, em bom estado e prontos a utilizar.
  • Garantir que todos podem contribuir
  • A participação é voluntária. Quem não puder oferecer um artigo pode desenhar o cartaz, organizar materiais ou criar uma mensagem.
  • Não comparamos ofertas nem distinguimos crianças pelo que trouxeram. A solidariedade não depende da capacidade económica de cada família.
  • A entrega é feita através da entidade parceira, respeitando a privacidade das pessoas e evitando identificar quem recebe o apoio.


Por fim, refletir



Depois da campanha, conversamos:
  • O que fizemos em conjunto?
  • Como soubemos aquilo que era necessário?
  • Que outras formas de ajudar descobrimos?
  • Que gesto de cuidado podemos continuar a praticar?


🌞 Solidariedade para além de um dia



Podemos terminar com um compromisso do grupo: escolher um gesto de inclusão para praticar durante a semana.

Convidar alguém para brincar. Esperar pela sua resposta. Partilhar um material. Perguntar de que ajuda precisa.


A história de São Martinho lembra-nos que um gesto pode fazer diferença. Na escola, essa diferença cresce quando o cuidado se torna parte da forma como convivemos.


Que neste São Martinho partilhemos castanhas, atenção e oportunidades de pertencer. 

      🌰 Lenda em PDF